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Implantando projetos, minimizando desperdícios: estoque

Publicado em 31/10/2016

Este é o segundo artigo, de uma série de 8[1], com ênfase nos desperdícios apontados pelo Lean[2], os quais desperdiçam os diversos recursos que a empresa tem: dinheiro, matéria-prima, tempo e sem dúvida, o mais importante, pessoas. O objetivo deste artigo é apresentar como o estoque pode ser tanto benéfico quanto prejudicial. Inevitavelmente, o estoque, em muitos casos é o vilão da história. Ao final, espera-se aguçar ao leitor uma ótica mais apurada quanto ao entendimento da utilização do estoque, de forma consciente, planejada e organizada.

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Figura 1 – Estoque resultante de dinheiro parado

 INTRODUÇÃO

Qual a melhor definição de segurança? Segundo o Dicionário Aurélio[3] segurança pode ser resumida nestes sinônimos: conforto, estabilidade, tranqüilidade, proteção, diminui riscos ou perigo. Em diversos aspectos da vida, tanto pessoal, quanto profissional, financeira, dentre outras, segurança é necessário. Mas a segurança relacionada à necessidade de estoque nas empresas pode gerar comodismo e a resultante disto, inevitavelmente, perdas e ineficiências produtivas e, por conseqüência, financeiras.

Trazendo à tona o entendimento sobre estoque de segurança, é o dimensionamento da quantidade necessária de algum item para que seja disparada uma solicitação de reposição. Além do estoque de segurança, há também o estoque mínimo[4] e máximo[5].

Ver todo este processo funcionando como uma engrenagem é muito interessante. Mas da mesma forma que engrenagens precisam de reparos, lubrificação e trocas, o estoque necessita constantemente estar em manutenção para uma boa gestão, implantação de qualquer projeto ou melhoria e sobrevivência da empresa.

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Figura 2 – Volume de estoque

DESENVOLVIMENTO

A grande chave-mestra para o estoque é o lead time. O lead time de um produto ou serviço deve ser considerado desde o momento que o setor comercial concretiza um pedido com o cliente até o momento que o cliente recebe o produto ou serviço.

Sendo assim, a preocupação com o estoque não deve se ater somente no produto final que é estocado para posterior envio ao cliente. Desde o momento que é fechado o acordo comercial com o cliente, o prazo começa a correr contra o tempo e cada segundo é valioso para a empresa.

Vejamos por exemplo: O setor comercial da empresa XYZ envia para o setor de PCP as informações referentes que o cliente necessita. Este tempo de transição entre o setor de compras e o PCP, onde a informação está parada enquanto alguém a trata e direciona para o setor de compras para emitir a compra do material, é estoque.

Continuando com a linha de raciocínio, o tempo que a matéria-prima está aguardando no caminhão da transportadora, para a empilhadeira recolher o material e disponibilizar para a produção, é estoque. Entre estações de trabalho que uma parte do componente está em processo e fica aguardando a estação seguinte finalizar a atividade atual, este tempo que o componente está aguardando é estoque,

Ou seja, o estoque está em todo lugar da fábrica, não apenas o local de expedição que está aguardando chegar o caminhão da transportadora para enviar o cliente o lote do produto.

Então chegamos ao seguinte questionamento: todo o ciclo por onde o produto em processo passa é estoque? Não! Somente é considerado estoque quando o produto não está sofrendo transformação.

Vamos entender um pouco melhor esta questão com este exemplo a seguir:

Em uma papelaria, a máquina de xerox trabalha constantemente com as solicitações de impressões dos clientes. O que está transformando o produto, no caso a folha de papel impressa, é a máquina de xerox que é acionada a partir de um comando que o operador aciona. No instante que a máquina de xerox está transferindo as tintas para o papel, este processo está transformando o produto, ou seja, agregando valor ao produto. Mas os papéis que estão dispostos na gaveta de armazenamento da máquina de xerox, estes não estão sofrendo transformação, logo não estão agregando valor ao produto. Por mais que as folhas de papel estejam dentro da máquina de xerox e que em instantes a máquina irá processar a impressão, ainda assim, não estão transformando aquela folha de papel que está na gaveta da máquina de xerox. Então é melhor colocar folha por folha após cada impressão para evitar o estoque dentro da máquina de xerox? Pensando no conceito apenas de transformação de produto sim, mas quando analisamos o deslocamento que o operador vai realizar para inserir folha a folha após cada impressão, este deslocamento vai gerar desperdícios e que consequentemente farão o resultado deste processo ser minimamente eficiente.

Então devemos estabelecer a quantidade de papel na máquina de xerox para que não seja tão volumoso o estoque folhas de papel em excesso, mas também precisamos determinar o mínimo para que o operador não desperdice o tempo com a alimentação das folhas de papel na máquina de xerox, ou gere interrupções por falta de papel na gaveta de alimentação.

Vamos supor que a máquina de xerox imprime a cada 4 segundos uma folha. O operador, por sua vez, demora 125 segundos para buscar o maço de papel e reabastecer a gaveta da máquina de xerox. Vejamos o resultado:

Tabela 1 – Estoque mínimo de folhas entre abastecimento

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Conforme tabela acima, entre um abastecimento e outro, deverá conter na gaveta de abastecimento da máquina de xerox 32 folhas de papel.

Vejamos outra situação: O setor de compras necessita de pelo menos 3 horas para realizar a compra de maço de papel e a entrega do mesmo na empresa. Qual a quantidade necessária de estoque de segurança para assegurar que não haja paradas por falta de papel? Para este caso, suponhamos as seguintes premissas:

Tabela 2 – Disponibilidade de processamento da máquina de xerox

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A relação do estoque de segurança, para o exemplo da máquina de xerox, é de 2700 folhas de papel ou 6 maços para cada ressuprimento.

CONCLUSÃO

O estoque deve ser extremamente evitado, principalmente entre processos internos. Mas a ausência do estoque pode levar a atrasos ou multas para a empresa por não se planejar conforme lead time da cadeia do seu produto. O estoque zero deve ser uma filosofia nas organizações, permitindo agregar valor o máximo aos seus processos e produtos, sendo mais eficiente, utilizando menos espaço físico, evitando esperas internas e perdas de matérias-primas. É melhor investir tempo em conhecer o lead time dos seus processos/produtos minimizando estoques ao invés de gerar estoque interno, mascarando os problemas e ineficiências internas

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Notas:

[1] Veja os demais artigos no Portal PMKB, clique aqui.

[2] Lean é uma filosofia de gestão inspirada em práticas e resultados do Sistema Toyota. Trata-se de um corpo de conhecimento cuja essência é a capacidade de eliminar desperdícios continuamente e resolver problemas de maneira sistemática.

[3] https://dicionariodoaurelio.com/

[4] O estoque mínimo ou também chamado estoque de segurança, determina a quantidade mínima que existe no estoque, destinada a cobrir eventuais atrasos no suprimento e objetivando a garantia do funcionamento eficiente do processo produtivo, sem o risco de faltas.

[5] É a quantidade máxima permitida em estoque. Teoricamente toda quantidade de ressuprimento somada ao estoque existente, deve atingir o estoque máximo previsto para aquele item.

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Sobre o Colunista: 

Elienay Marçal Fialho Fuly é Graduado em Engenharia de Produção, Especialista em Engenharia de Produção Enxuta / Melhoria Contínua, MBA em Administração de Projetos e MBA Executivo em Gestão de Negócios. Atualmente atua como Engenheiro de Processos Sênior no desenvolvimento e implementação de soluções em melhoria contínua de processos no setor automobilístico. Atua também como consultor de soluções em Engenharia de Processos e Melhoria Contínua desde 2014. Palestrante em temas de Redução de Custo, Engenharia de Planejamento, Engenharia de Produção e Melhoria Contínua. Autor de artigos e colunista sobre Gestão de Projetos com foco em Produção, Logística, Melhoria Contínua e áreas correlatas. Está presente na indústria desde 2005, atuando nos setores da indústria automotiva, mineração, caldeiraria, usinagem e construção civil. Possui experiências nas áreas de Gestão e Engenharia de Processos, Controle de Qualidade, PCP, Auditoria ISO 9001, Administração de Contratos e Diligenciamento. Lecionou em escola técnica as disciplinas de Matemática Aplicada e Tecnologia dos Materiais. E-mail de contato: elienayfuly@gmail.com

Se você tem comentários, sugestões ou alguma dúvida que gostaria de esclarecer, aproveite o espaço a seguir.

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  1. Fabiojs disse:

    Considerando o exemplo da máquina copiadora o raciocínio é totalmente correto. Mas observando o primeiro exemplo onde a matéria prima entra em uma cadeia produtiva , mesmo não sendo utilizada naquele momento, ela está em processo de transformação e não em estoque.
    Acredito ser estoque aquele material/componente que foi comprado ou esta aguardando o seu momento de ser inserido na cadeia produtiva. O melhor jeito para gerenciar estoques de forma a diminuir volumes de dinheiros parados é utilizar/comprar a matéria prima previamente ao momento de sua inserção no ciclo produtivo.

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