A Outra Face e o controle de mudanças nos projetos

Que lição valiosa sobre gestão de projetos um filme de ação de 1997 estrelado por Nicolas Cage e John Travolta pode ensinar? Se a resposta que vem à mente é “nenhuma”, então é mais que necessária uma repensada sobre como anda sua atenção com mudanças.

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Poster do filme

Uma das coisas que distingue o ser humano dos demais seres vivos é sua enorme capacidade de adaptação, de adequação às mudanças. A maioria das vezes precedida por desconfiança, desânimo e reclamação, é verdade, mas praticamente todas sucedidas por readaptações sem traumas. E as mudanças, seja de emprego, de quantidade de pessoas na família, de residência, de idade, de cidade, trazem impactos que muito raramente afetam apenas uma, duas ou poucas pessoas.

No ambiente corporativo isto é ainda mais claro. Muitas mudanças são provocadas para fins de atingimento de um objetivo comum, portanto elas precisam ser comunicadas claramente. As mudanças implementadas de forma limitada ou sem divulgação não ganham adesão de todas as partes envolvidas e estão fadadas ao fracasso.

Em ‘A Outra Face’, John Travolta é Sean Archer, um agente do FBI que consegue capturar um perigoso bandido, Castor Troy, interpretado por Nicolas Cage. Ao descobrir que o vilão implantou uma bomba que matará milhares de pessoas em Los Angeles e que a única pessoa que sabe onde está localizada é seu irmão, Pollux Troy, o policial decide se submeter a uma cirurgia de transplante de face para se infiltrar e conseguir um depoimento do comparsa de Castor. Somente mais duas pessoas sabem da empreitada, feita totalmente por debaixo dos planos… quer dizer… panos. Sean, com a face de Castor, é então enviado ao presídio de segurança máxima onde está Pollux. Para todo mundo, ali está Castor Troy em pessoa. Mas, a vida de Sean está ameaçada, pois Castor é odiado dentro do presídio, tanto por bandidos rivais, quanto por carcereiros e vigias. De qualquer forma, o plano é colher as informações e sair dali rapidamente. Só que o verdadeiro Castor Troy acorda no centro cirúrgico e assume a face (e a vida) de Sean Archer. E de quebra mata todos (os únicos e poucos) que sabem da verdade. Então Sean está preso, em um presídio e em uma outra vida, sem nenhum álibi, sem nenhum registro da verdade, sem ter como voltar atrás. Ferrou, para dizer o mínimo.

A vida imita a arte e, se não documentadas, as mudanças podem matar… o projeto. É impossível manter prazo, custo, qualidade e escopo quando se tem alterações sendo aceitas informalmente ou de forma tácita. Toda mudança precisa ser estudada, aprovada e documentada, para então ser divulgada pelos meios adequados. Estas formalidades são essenciais para que se tenha um bom entendimento do que vai ocorrer, e assim seja possível um replanejamento de todos os aspectos afetados, além de uma revisão dos riscos. A clareza do estabelecimento da mudança e sua formalização permitem reorientar todos os envolvidos no projeto e evitar (ou minimizar consideravelmente) discussões contratuais posteriores.

Trailer do filme

Tentar justificar para as partes interessadas que um aumento de escopo, um desvio de qualidade, um atraso desproporcional ou um custo além do orçamento é consequência de definições originadas de uma conversa com um gerente que nem trabalha mais na empresa contratante é exatamente como estar na situação desesperadora de Sean Archer. No fim dá até para acreditar em um final feliz hollywoodiano, mas antes haverá muito tiro, sofrimento e pancadaria em câmera lenta.

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Sobre o Colunista:

José Roberto Costa Ferreira, PMP, é Engenheiro Eletrônico e de Telecomunicações pela PUC-MG, pós-graduado em Redes de Telecomunicações pela UFMG e em Gerenciamento de Projetos pelo IETEC. Iniciou sua carreira profissional em 1995 no ramo de eletrônica, informática e telecomunicações e desde 2005 atua em áreas e negócios diversificados com Gestão de Produtos e Gerenciamento de Projetos. Atualmente integra a equipe de Gestão de Projetos da ThyssenKrupp Industrial Solutions, divisão de Tecnologia de Recursos/ Mineração. Nas horas vagas é um aficionado por cinema. E-mail para contato: zrcosta@hotmail.com – Blog pessoal: http://padecin.blogspot.com.br

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1 comentário


  1. 1 mês atrás  

    Muito interessante e clara sua comparação. Eu já tinha assistido ao filme mas vou assistir novamente só para analisar com a visão apresentada.

    lucas Siqueira

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