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Compliance e Consciência

Compliance e Consciência I

Quando a consciência é fraca, o compliance está ferido de morte. Como há consciências debilitadas sociedade afora, não poucos são os casos de non compliance que vemos se multiplicando todos os dias. Basta acessar um site de notícias, abrir um jornal ou ouvir um noticiário.

Pretendo escrever alguns breves artigos sobre este tema fascinante, com o qual tenho lidado nestes últimos anos, com o objetivo de provocar uma reflexão sobre o assunto e incentivá-los ao protagonismo de uma revolução comportamental, que vou chamar de contracultura.

Neste artigo introdutório, quero conceituar as palavras compliance e consciência, para então, nos próximos, trabalhar a tese de que sem uma consciência saudável, por mais que se implementem ferramentas de controle, a criatividade e genialidade do ser humano – e a do brasileiro em especial – será capaz de suplantá-las, quando estiver determinado a agir em benefício próprio, a despeito dos prejuízos causados a outrem.

Não encontramos uma tradução para o português, que tenha se difundido a ponto de tomar o lugar do termo original da língua inglesa, razão pela qual utilizaremos sempre o termo em Compliance e Consciência inglês. Por compliance, quero me referir a uma atitude ou comportamento alinhado aos valores, princípios, regras e normas de uma organização ou de uma sociedade. Assim, ser compliance é agir em harmonia com estes valores e princípios, dentro dos limites estabelecidos pelas regras e demais códigos de conduta aplicáveis, sejam leis, normas, práticas culturalmente aceitas, regulamentos ou procedimentos. Neste conceito, vale acrescentar que estes valores ou códigos podem estar ou não formalmente escritos Sempre que ferimos quaisquer destes valores ou códigos, incorremos num comportamento non compliance.

Já o termo consciência, pode ser utilizado com vários e diferentes sentidos: noção ou conhecimento de algo; faculdade do autoconhecimento, própria do ser humano; cuidado no desenvolvimento de um trabalho, entre outras possibilidades. Com relação ao nosso tema, por consciência me refiro àquela voz interior que conversa com a mente e nos posiciona quanto ao que é certo ou errado, quanto ao que deve e não deve ser feito, o que deve ser dito e o que deve ficar oculto nos pensamentos. Esta voz interior é educada, cresce e amadurece. Ela pode ser moldada pela vivência, pela experiência, por influências externas, pelo ensino, pela disciplina ou falta dela, pelos valores espirituais, pela fé ou conjunto de crenças que se abraça. Esta voz pode ser mais ou menos ativa, falar mais alto ou mais baixo, ser mais ou menos exigente, restringir ou liberar comportamentos, ser mais ou menos sensível, dependendo da conjunção dos vários fatores a que foi submetida, ao longo do seu processo de amadurecimento.

Diante desta conceituação, entendo que compliance e consciência são coisas conectadas, que andam juntas, inseparáveis, no sentido em que a consciência será sempre o último juiz do nosso comportamento. Se uma regra me parece tola e desnecessária, quem definirá se devo ou não seguí-la será a consciência. E mais, mesmo em situações completamente novas, que jamais tenham sido previstas em qualquer código escrito, agiremos de uma ou
de outra forma, tomaremos uma ou outra decisão de acordo com a consciência.

Concluo esta breve introdução sugerindo que entre decisões e comportamentos compliance ou non compliance, podemos experimentar com frequência, uma guerra brutal entre razão, desejos e consciência. Minha tese é que todas as vezes que agimos contra a consciência, teremos incorrido em non compliance. Sem entrar no mérito da qualidade da consciência, defendo esta posição pela simples incoerência entre os valores e princípios ditados pela consciência e o comportamento.

Compliance e Consciência II
Em tempos de massificante exposição da corrupção de políticos e empresários, falar sobre questões relacionadas a comportamento, atitude, caráter, honestidade, sinceridade e confiança já se tornou uma emergência. Desvios de conduta não são propriedade exclusiva dos que estão na mídia a toda hora, mas uma infeliz característica do nosso povo com sua cultura, aquela que carinhosamente chamamos de jeitinho brasileiro.

Trata-se de uma especial habilidade de lidar com dificuldades de última hora, de resolver rapidamente questões complicadas, de colocar panos quentes numa situação de conflito entre outros exemplos. Se parássemos por aqui, esta capacidade especial seria uma virtude. O problema surge quando este dom é usado para inventar descaminhos, encontrar atalhos escusos, criar uma nova forma de burlar, extorquir, confundir, subornar e intimidar, tudo isto com o objetivo de alcançar algum benefício próprio. Neste caso, o que era virtude se transforma num defeito de graves proporções.

Vamos a alguns pequenos e corriqueiros exemplos, apenas para fixar o ponto. Já ouviram falar de “gato”? Não, não estou me referindo ao bichano, mas àquelas ligações ilegais feitas em redes públicas de energia e água, ou mesmo, em redes privadas de TV a cabo e, mais recentemente, facilitadas pelos roteadores WiFi. Muito provavelmente, você deve conhecer alguns amigos “espertos” que usufruem de algo desta natureza.

Poderia tomar o tempo para ilustrar com inúmeros outros exemplos do dia a dia, de como a nossa cultura está arraigada à ideia de se levar vantagem em tudo, exatamente como proposto numa antiga propaganda de cigarros, que acabou por se tornar conhecida como “lei de Gerson”: Leve, você também, vantagem em tudo!

À luz deste breve pano de fundo, compliance deixa de ser apenas mais um modismo e passa a ser uma urgente necessidade da nossa sociedade, que extrapole as formalidades de instituições públicas ou privadas, empresas e bancos, e permeie a conduta individual de todo e qualquer cidadão, em toda e qualquer situação.

A reflexão que proponho é como, de que maneira, seria possível erradicar o comportamento non compliance? Temos testemunhado uma onda de leis e regulamentações, programas e treinamentos, implantação de sistemas e softwares de gestão, tudo sendo feito para impedir ou dificultar desvios de conduta. Estas medidas são efetivas, resolvem o problema? A que custo? Com que nível de segurança?

Minha intuição diz que se não houver um controle que atue no campo da vontade, na motivação e na intenção das pessoas, nada disto poderá assegurar que o empregado, o governante, a autoridade, o diretor ou quem quer que seja, vá se portar sempre da forma correta. O nosso jeitinho, aliado à cultura da lei de Gerson, encontrará meios de contornar os mais sofisticados controles e levar avante projetos desonestos.

Precisamos de uma nova cultura, na verdade, de uma contracultura com uma lei de Gerson ao avesso. Esta contracultura emergirá quando a consciência tomar a liderança das atitudes e do comportamento, quando a consciência não puder mais ser anulada com racionalizações como “todo mundo faz”, “isto é assim mesmo”, “não tem jeito” e outras da mesma essência. Esta contracultura triunfará quando a consciência se rebelar contra o status quo e se colocar no seu lugar de proeminência e nos impelir às boas práticas, mesmo que não haja nada escrito a respeito, alguém a nos supervisionar ou uma câmera a nos filmar.

Sem uma revolução da consciência e o estabelecimento desta contracultura, não haverá limites para a genialidade e criatividade do brasileiro com seu jeitinho.

Compliance e Consciência III

Em meu segundo artigo sobre este tema, disse que o comportamento compliance não será assegurado por controles e que há necessidade de uma nova consciência que impulsione e determine a boa conduta, independentemente dos próprios controles, o que estou chamando do estabelecimento de uma contracultura.

Não sou ingênuo ao ponto de recomendar a eliminação dos controles, esperando que num passe de mágica a nossa sociedade mude radicalmente o seu tradicional comportamento de levar vantagem em tudo, como exemplificado rapidamente naquele artigo. Os controles ainda serão necessários, uma vez que desvios de comportamento sempre foram observados em toda e qualquer cultura e em todas as épocas. Além disto, não temos nenhuma indicação de que os desvios cessarão num futuro minimamente previsível.

No entanto, os impactos de um comportamento non compliance podem ser reduzidos, as ocorrências menos frequentes e os controles podem ser mais simples, mais baratos e muito mais eficazes, se estiverem associados à proliferação e generalização de boas consciências, com irredutível disposição de acertar, de proceder bem, de agir corretamente.

Tomando esta premissa como verdade, o nosso grande desafio é promover e incentivar a formação de consciências saudáveis, sensíveis, vivas, ativas, que gritem e se façam ouvir diante de dúvidas ou decisões a serem tomadas. Se todos tiverem este tipo de consciência, amadurecida, pura, sadia, ligada e disposta a se pronunciar sempre e com o vigor necessário, os resultados serão encantadores.

Tenho visto organizações e instituições tomando caminhos muito parecidos na implantação da gestão de compliance. Via de regra, estabelecem uma política de compliance, um código de conduta ética, criam um comitê de conduta ética, definem um ou vários canais de denúncia, escrevem termos de compromisso que são assinados pelos funcionários, fornecedores, clientes e outros stakeholders, definem níveis de alçada cada vez mais restritivos e implantam sistemas de controle cada vez mais robustos. Este é um caminho que não tem fim e se trilhado na busca do risco zero terá custos mais e mais vultuosos.

Esta solução pode restringir, mas não elimina as ocorrências do non compliance. No caso das consciências mais fracas, pode até servir como incentivo à busca de caminhos para burlar todo o sistema.

Estamos então, diante de um paradoxo, de uma balança de dois pratos: de um lado, as consciências e do outro, os sistemas de controle. Quanto mais fracas as consciências de uma sociedade, organização, empresa ou instituição, tanto maiores serão os investimentos necessários e mais robustos e sofisticados os sistemas de controle. Não seria sem sentido que as empresas passassem a adotar testes de caráter e de conduta aos candidatos às suas vagas de emprego e até mesmo aos próprios funcionários. Desvios de conduta seriam tratados com rigor cada vez maior, visando não apenas a correção e recuperação do infrator, mas ainda como exemplo de comportamento indevido e indesejado que não vale a pena ser seguido.

O desafio que precisamos encarar com toda energia possível, é de alinhar fileiras na formação de boas consciências, até que tenhamos estabelecida uma contracultura, na qual a lei de Gerson se torne tão repulsiva, que seus persistentes seguidores sejam um remanescente que não mais encontre ambiente para esta conduta. Vamos materializar juntos este sonho!

Compliance e Consciência IV

Antes de enfrentar qualquer desafio, todos nós fazemos estas ou perguntas parecidas: Como e o que temos que fazer para atingir os objetivos? De que recursos precisaremos?  Quanto tempo será necessário? Quem será responsável pela execução? Pois então, diante da proposta de alinhar fileiras na formação de boas consciências como a melhor prevenção de comportamentos non compliance, perguntas como estas estarão naturalmente rondando a nossa mente.

As organizações são compostas por pessoas com as mais variadas experiências de vida, começando pelo histórico familiar, passando pela educação básica, formação religiosa, convivência social, entre outras inúmeras complexidades, que culminaram com o produto que temos em mãos para trabalhar, ou seja, as pessoas, como elas são e como elas estão neste exato momento, com valores e princípios sedimentados em sua personalidade e caráter.

Algumas estarão mais firmes e preparadas para as provas da vida, outras em franco processo de desenvolvimento e outras ainda muito imaturas, frágeis, sendo presas fáceis da cultura de levar vantagem em tudo. Importante observar que mesmo as mais preparadas não estão completamente imunes e podem, eventualmente, cometer seus deslizes. Eu poderia cair na vala comum de sugerir a elaboração um sofisticado plano de ação ou a criação de um complexo projeto para formação de boas consciências, mas este não é o caminho que escolhi sobre como podemos contribuir de forma efetiva no atingimento do nosso objetivo. Sendo um tanto simplista, mesmo que planos e projetos sejam fundamentais, por ora, vou deixar estas coisas mais elaboradas em segundo plano e me concentrar no ponto que julgo ser crucial, divisor de águas: o exemplo.

Neste momento, faço uma chamada para a próxima série de artigos que pretendo escrever sobre compliance e o exercício do poder, particularmente no sentido em que os que estão investidos de qualquer nível de autoridade são referência para os seus liderados, o seu exemplo fala alto, é visto e observado cuidadosamente por todos. Há um ditado que diz que um exemplo vale mais que mil palavras e é exatamente este o ponto que quero valorizar na questão da formação de boas consciências.

O nosso exemplo chamará especialmente a atenção, não naqueles momentos em que tudo está correndo dentro dos padrões, princípios, leis e procedimentos, mas de forma profunda e intensa naquelas situações em que as nossas intenções e caráter serão frontalmente colocados à prova. Se fraquejarmos nestas desafiadoras circunstâncias, se avançarmos por descaminhos na busca de melhores resultados ou de certas vantagens, então nossas palavras e ensinamentos não mais serão ouvidos e não terão nenhum valor em nossas organizações.

É muito comum que após desvios desta natureza, o passo seguinte seja um processo de racionalização e convencimento, para justificar a decisão ou o comportamento adotado. A triste notícia é que este esforço será totalmente inútil e não logrará êxito. O exemplo já foi devastador.

Em momentos de decisão como estes, é exatamente o exemplo que validará ou destruirá o discurso. Se agirmos de forma coerente com o que cremos e dizemos, então este exemplo fortalecerá o processo, será um marco e influenciará de forma construtiva a vida de todos.

Se, por outro lado, cedermos à tentação de levar ou conceder alguma vantagem indevida e desconsiderarmos valores e princípios até então defendidos, não haverá controles suficientes para deter a criatividade e o jeitinho do nosso povo.

O melhor ensino é o exemplo!

Clique aqui, para acessar o arquivo original.

 

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