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Gestão e Coordenação: qual a diferença afinal?

Este texto, embora trate de dois termos usuais em administração, prefiro classificar como da área de Comunicação e Informações em função do enfoque que pretendo dar. Vou tentar explicar a diferença entre ambos a partir de seu significado etimológico e, portanto, genérico. Se me fosse pedido para explicar tal diferença, eu discorreria nessa linha de pensamento.

Coordenação tem o sentido de co-ordenar, ou seja, ordenar partes em igualdade de relevância, covalentes. Coordenar pressupõe admitir que as partes, embora necessitem de ordenação, são igualmente importantes. O detalhe que destaco nesse entendimento é que as partes estão estabelecidas e seus graus de importância previamente definidos. Mesmo que o uso do termo coordenação se refira a partes com relevâncias diferentes sob algum aspecto, é certo que elas estejam previamente estabelecidas para que possam ser (co)ordenadas. Há em coordenação o espírito da estabilidade, seja pela definição objetiva das partes, seja pela ordenação que lhes é praticável e, de certa forma, inerente.

Gerenciar já tem um sentido um tanto mais imbricado. Usualmente, gerenciar tem o significado de administrar, cuidar de alguma coisa. Está associado às ideias de execução e de regência (bem no sentido do maestro de uma orquestra). Há uma série de aspectos que merecem ser explorados, mas quero me prender ao fato de que gerenciar pressupõe uma etapa de planejamento. Deve-se pensar antes de executar ou deve-se saber o que se quer antes de reger. Administrar subentende o planejamento prévio. Ora, planejar significa que se deve efetivar uma série de definições a princípio inexistentes. Não há um caminho pré-definido, ou uma sequência estabelecida para se obter os resultados. Definir as partes é tarefa do processo de gerenciar assim como organizá-las e orientá-las rumo ao resultado pretendido. Objetivamente, as partes não são pré-existentes (no todo ou em parte).

Assim, neste aspecto das partes do sistema, a coordenação distingue-se da gestão (ou gerência) pela pré-existência ou não das partes. Enquanto a coordenação é exercida sobre partes previamente estabelecidas, a gestão ocupa-se também do estabelecimento de partes ainda não definidas. Tomemos isso como um primeiro aspecto da diferenciação dos conceitos, mas não ficamos por aí…

Como o trabalho de coordenação é focado na ordenação das partes para que produzam da melhor forma possível o resultado esperado do sistema, ela atua efetivamente na operação do mesmo. Ou seja, embora sua atuação não se faça de modo geral diretamente sobre o resultado em si, a coordenação está em relacionamento muito próximo com ele.

Já a gestão está mais associada à criação do sistema do que ao resultado dele. Ela se ocupa, sem dúvida, do resultado esperado do sistema, mas não atua sobre ele diretamente. A gestão foca exatamente o processo de sistematização ao definir as partes a serem consideradas e as relações a serem estabelecidas entre elas.

Temos aqui um segundo aspecto importante na distinção entre coordenação e gestão: a coordenação possui um relacionamento mais direto com o resultado de um sistema no que diz respeito à atuação sobre ele do que a gestão. Enquanto a coordenação atua muito próxima ou quase que diretamente sobre o resultado, a gestão atua nele apenas indiretamente.

Continuando, poderíamos ser levados a pensar que a coordenação é posterior à gestão, uma vez que a gestão cria os sistemas a serem coordenados. Em teoria isso não seria de tudo equivocado. Mas, na prática, gestão e coordenação existem simultânea e complementarmente. Vejamos…

Devemos previamente nos conscientizar de que o uso dos termos gestão e coordenação, de forma que precisem de distinção semântica, ocorre quando tais sistemas possuem complexidade e porte relativamente elevados. Esse é o caso de organizações (instituições empresariais, governamentais, etc.) e sistemas de produção tecnicamente complexos e com múltiplas fases.

Uma vez entendido isso, devemos compreender que tais sistemas possuem subsistemas que podem ou não estar previamente estabelecidos. Por exemplo, um processo produtivo de várias etapas pode ter etapas largamente conhecidas e experimentadas e outras que sejam complexas novidades em termos de produção.

Além disso, mesmo os sistemas largamente conhecidos, sempre que são abertos (é o caso de qualquer sistema com fortes aspectos sociais, antropológicos, etc.) são muito influenciados pelo exterior e, portanto, deixam de ser previsíveis, ou seja, têm sua ordenação em constante risco.

Assim, todo trabalho desenvolvido por pessoas ou organizações necessitam de gestão para planejar e reger sua execução e também de coordenação para ordenar as partes (pré-definidas ou definidas pela gestão) de modo a obterem o melhor resultado dos sistemas (conhecidos ou criados).

A coordenação se aplica aos sistemas (melhor entendimento para subsistemas) mais estáveis, previamente conhecidos e que demandam ordenação (segundo parâmetros relativamente bem dominados) para obterem maior eficiência. A gestão se aplica aos sistemas (e mesmo subsistemas) onde ainda é preciso estabelecer a ordem a ser obtida e os parâmetros pelos quais será balizada. Daí a importância de controles mais rigorosos para a gestão, pois, sendo uma espécie de tentativa (por mais científica que seja), é preciso averiguar o desempenho para decidir pela continuidade ou por uma reordenação nas partes rumo ao objetivo a ser atingido. A coordenação, por atuar sobre sistemas já mais conhecidos e estáveis, exige menos controle, pois, apesar de possíveis desvios, a ordenação já experimentada das partes permite maior segurança quanto aos resultados esperados

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