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As Poderosas Ferramentas do MASP para Rotina e Projetos

Publicado em 07/05/2019

  1. Introdução

O presente artigo tem por objetivo demonstrar como o MASP auxilia no tratamento de problemas na rotina da empresa e também na Gestão de Projetos. A abordagem procura sistematizar sua aplicação e demonstrar as ferramentas usuais.

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra problema tem origem no latim problēma, ătis, com o mesmo sentido e adaptação do grego próblēma, (…) “o que é proposto, tarefa, questão, assunto controverso, problema”.

Por outro lado, a abordagem filosófica indica que problema representa situação que exige a possibilidade /escolha de alternativas. Em geral, um problema é uma determinada questão ou um determinado assunto que requer uma solução. Para resolver qualquer um tipo de problema qualquer é necessário compreender o contexto em que este se deu e, sobretudo, entender o que significa o resultado ao qual se chegou.

O Método de Análise e Solução de Problema – MASP[1] preconiza que um Problema é o resultado indesejável de um trabalho, ou mesmo, toda questão, situação que afasta uma organização de seus resultados esperados. Todas as organizações e empresas possuem problemas que as privam de obter melhor qualidade e produtividade de seus produtos e serviços. A diagnose para a existência de problemas pode ocorrer através de:

– Absenteísmo de máquinas;

            – Clima organizacional desmotivante;

            – Alto índice de ociosidade;

            – Baixa produtividade;

            – Qualidade precária dos produtos (bens e/ou serviços);

            – Menor posição competitiva no mercado;

            – Ausência de controle de desperdício;

– Etc.

De acordo com Deming “85% das razões das falhas que comprometem a expectativa do cliente são relatadas por deficiência em sistemas e processos (…)”. Os problemas geram perdas e afetam a sobrevivência da empresa.

  1. Método de Análise e Solução de Problemas (MASP).

Segundo Colengui (2007), “o MASP – Método de Análise e Solução de Problemas é um método prescritivo, racional, estruturado e sistemático para o desenvolvimento de um processo de melhoria num ambiente organizacional, visando solução de problemas e obtenção de resultados otimizados”.

De acordo com Azeredo e Passos (2019),

 “O MASP se aplica aos problemas classificados como estruturados, ou seja, suas causas comuns e soluções sejam desconhecidas; e que envolvam reparação ou melhoria ou desempenho; e que aconteçam de forma crônica. Uma premissa do método é de que os problemas possuem um comportamento ao longo de uma linha temporal”.

Desse modo é possível sistematizar os passos do MASP da seguinte maneira, conforme sugerido por Vicente Falconi, o percussor da metodologia no Brasil.

 

 

Tabela 1 – Etapas do Método de Análise e Solução de Problemas

Fonte: Adaptado de Campos (2004)

A sistematização do ciclo PDCA em oitos distintas etapas exigem a aplicação de ferramentais especializados. Segundo Bouer(2009), essas ferramentas podem ser divididas em ferramentas básicas ou mesmos gerenciais, a saber:

Tabela 1 – Ferramentas MASP por tipologia


Fonte: Adaptado de Bouer (2009)

Evidentemente a eficácia da aplicação das ferramentas técnicas associa-se intimamente ao tipo de negócio, falha, gargalo, repercussão dos problemas estudados ou mesmo da amplitude desejada para a solução. Nesse sentido, é razoável pensar que não há uma definição precisa sobre o conjunto de ferramentas e a respectiva aplicação. O enfoque adotado pelos autores referência considera inclusive o aspecto histórico da abordagem.

Entre esses autores, Ishikawa (1992) citado por Oribe (2008) destaca um conjunto de ferramentas suficientemente capazes de ajudar “na solução de 95% dos problemas típicos das empresas”, a saber:

  1. Diagrama de Causa-e-efeito
    2. Estratificação
    3. Diagrama de Pareto
    4. Folhas de Verificação
    5. Histograma
    6. Diagrama de Dispersão e Análise de Regressão
    7. Carta de Controle
    8. Brainstorming
    9. 5 Porquês
    10. Fluxograma
    11. Gráfico de Tendência
    12. Diagrama de Árvore
    13. Matriz É – NÃO É
    14. Gráfico de Gantt
    15. Matriz Gravidade-Urgência-Tendência – GUT
    16. Matriz Resultado-Execução-Investimento – REI
    17. 5W1H e 5W2H
    18. Votação múltipla

 

  1. Fases e ferramentas do MASP.

Desta feita é razoável apresentar uma abordagem alternativa para o uso das ferramentas indicadas por Ishikawa (1992), de acordo com as etapas sugeridas pelo MASP. Para tanto, se faz importante diferenciar a intensividade no uso das ferramentas entre eventual ou mesmo de uso frequente, conforme destacado na tabela 2:


 

Tabela 2 – Ferramentas sugeridas por etapa MASP

Nota: Uso frequente(F). Uso eventual (E)

Fonte: Adaptado de Oribe (2008). Grifos nossos.

Para a identificação do problema é importante, além da utilização da técnica de brainstorm a apresentação de fatos e dados (por estratificação) que caracterizem a existência de um resultado indesejado. Além disso, a existência de um histórico de verificação norteia essa identificação, como também os registros gráficos e fotográficos auxiliam na indicação da frequência do problema e sua dinâmica de ocorrência.

Muito embora pareça prematuro, reside no planejamento, o exercício de eleger a pessoa ou mesmo equipe responsável para apresentar uma data limite para a resolução do problema caracterizado. Assim, na fase de observação do problema, a resolução ainda não foi proposta, mas tão somente o peso relativo de cada problema levantado, razão pela qual se utiliza a análise de Pareto e a matriz GUT.

A análise do problema envolve a etapa de cronograma, atualizado a todo o momento e em cada processo, como também a estimativa de orçamento e o apontamento de uma meta a ser atingida. Nesta fase, as pessoas devem ser envolvidas para o maior levantamento possível das causas. As reuniões devem ser participativas, envolventes e de forma salutar. Em seguida, é hora de levantar e testar as hipóteses possíveis, ou seja, a mineração de dados, as discussões e as priorizações devem conduzir a equipe para confirmar ou negar a relação entre problema e as causas mais prováveis.

Em seguida, remanesce a elaboração e um plano de ação indicando as soluções possíveis, a eficácia e o custo de cada solução proposta. É importante certificar-se de que as ações propostas produzam efeitos colaterais. A melhor ferramenta nessa fase é o 5W (5W1H OU 5W2H)[2].

Cumprido a fase de planejamento, a próxima fase diz respeito à execução em que todos os envolvidos deverão estar alinhados em relação às tarefas a serem realizadas. Todas as ações e os resultados devem ser registrados continuamente. Isso auxilia a fase de verificação dos resultados, tendo em vista que a comparação dos resultados irá indicar a energia necessária que a organização deverá desprender, uma vez que, estando os problemas bloqueados a organização garante a possibilidade de padronização das respostas. Por outro lado, caso não seja identificado qualquer resolução, a organização deverá voltar para o planejamento de suas ações.

Por fim, em caso de sucesso (Isso é o esperado!), a conclusão do MASP deverá envolver reuniões, palestras, treinamentos permanentes. Isso permite o desenvolvimento de uma cultura de resolução de problemas. O resta é o aperfeiçoamento constante.

 

Referências

 

A Metodologia de Análise e Solução de Problemas. Equipe Grifo. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1997.

BOUER, Gregório. Ferramentas para o controle e a melhoria da qualidade. 2009. https://qualidadeonline.files.wordpress.com/2009/12/masp.pdf. Acesso em: 05 mai. 2019.

COUTINHO, Ítalo e PASSOS, Ederson. A relação intrínseca entre Gestão, Projetos e MASP. 2019. https://pmkb.com.br/artigos/relacao-intrinseca-entre-gestao-projetos-e-masp/. Acesso em: 05 mai. 2019.

 

 

CAMPOS, Vicente Falconi. TQC: Controle da Qualidade Total (no estilo japonês). 8. ed. Belo Horizonte: INDG, 2004.

COLENGHI, Vitor Mature; O & M e qualidade total: uma integração perfeita. Vitor Mature Colenghi – 3. ed. – Uberetama: Ed. V. M. Colenghi; 2007.

HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Ed. Objetiva, 2001.

MACHADO SOBRINHO. Gestão da qualidade. Material didático. 2011. http://www.machadosobrinho.com.br/2011/arquivos/material_dos_professores/LSS_EPSSIGQ/Material_didatico/DETALHES.MASP.pdf

 

ORIBE, Claudemir Yoschihiro. Quem Resolve Problemas Aprende? A contribuição do método de análise e solução de problemas para a aprendizagem organizacional. Belo Horizonte, 2008. Dissertação (Mestre em Administração). Programa de Pós-Graduação em Administração da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

 

[1] A abordagem histórica sobre o método constituído está fora do escopo do presente texto.

[2] O quer será feito, quando será feito, quem o fará, onde será feito, por que será feito, etc.

 

Sobre  Autor:

Ítalo Coutinho –  Eng., MSc., PMP ©, Doutorando em Administração, Especialista em Gestão de Projetos e Mestre em Administração de Empresas. Atua como Gerente de Projetos e Engenharia da Saletto Engenharia. Pós-Graduado em Logística Empresarial. Coordenador e Professor de Cursos de Pós nas áreas de Engenharia de Planejamento, Gestão de Projetos de Construção e Montagem e Engenharia de Custos e Orçamentos. Autor de capítulos de livros, artigos e colunista sobre Gerenciamento de Projetos, com foco em Engenharia e Construção. Fundador do portal PMKB – Project Management Base of Knowledge. Afiliado a Sociedade Mineira de Engenheiros (SME); PMI; AACE e IBAPE-MG. Revisor do  “PMBOK Construction Extension 2015” a convite do PMI Global.

 

Sobre  Co-Autor:

Ederson Passos – MSc, Professor do Senac; Especialista em MASP: Consultor Método de Análise e Solução de Problemas (MASP); Possui graduação em Ciências Econômicas pelo Unicentro Newton Paiva (2000), Especialização em Gestão Estratégica com ênfase em Finanças pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG (2002), Mestrado em Administração Pública com ênfase em Gestão Econômica pela Fundação João Pinheiro – FJP (2006). MBA Gestão de Projetos PUC Minas (2014). MBA Engenharia e Inovação. Veduca (2015). Experiência em Perícias Econômicas, bem como, estudos de mercado, plano de negócios e elaboração de cenários econômicos. Experiência consolidada em Gestão de Projetos. Participação, através do regime de voluntariado, do Instituto Técnico Circuito da Vida, atuando com consultor.

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