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O Brasil compra apenas baratinho. Qualidade não é importante

Publicado em 28/07/2015

No ano passado publicamos um livro chamado “Manual de Projetos Infraestrutura e Engenharia”.Trata-se de um livro voltado aos profissionais envolvidos com grandes projetos de infraestrutura e engenharia. Foi, até onde sei, o primeiro livro sobre gerenciamento desse tipo de projeto com base na realidade brasileira.

Ao escrever o livro nos demos conta de que o mercado brasileiro não compra projetos de infraestrutura e engenharia com base em qualidade. Compra por preço baixo.

Isso faz com que o mercado de projetos de infra e engenharia apresente um comportamento bem diferente dos demais. Em qualquer mercado, um produto se distingue da concorrência através da excelência na qualidade ou inovação. Mas o mercado de projetos infraestrutura e engenharia não se comporta assim. A maioria dos clientes privados e a totalidade dos clientes públicos adquire bens e serviços pelo menor valor. Essa tendência a comprar pelo preço mínimo, faz com que, na prática, surja o nivelamento pela qualidade mínima.

No caso das compras pelo Estado Brasileiro, é possível perceber, por exemplo, que a lei nº 8.666/93 não faz a menor menção à possibilidade de oferecer qualquer tipo de bônus por melhoria de qualidade de serviço. Não é à toa que no Brasil, grandes obras de infraestrutura apresentam problemas de qualidade. Basta ver as estradas brasileiras que, via de regra, apresentam péssima qualidade de pavimentação e sinalização. A exceção à essa regra são as estradas concedidas à iniciativa privada. Se o problema estivesse confinado às obras de infraestrutura, já seria ruim.

Imagine então essa situação nas demais áreas de atuação do Estado. Embora eu não tenha pesquisado o assunto em outras áreas, é bastante provável que projetos de tecnologia da Informação, projetos de saúde e outros, que são também são fundamentais para o Brasil, podem estar sendo comprados apenas critério de menor preço.

Tudo bem que devemos buscar otimizar o uso dos recursos públicos. Mas comprar projetos estratégicos apenas pelo menor preço, sem levar em consideração as questões de qualidade, pode ser um tiro no pé. Este é um assunto que a sociedade brasileira precisa debater.

Sobre o Colunista: 

Álvaro Antônio Bueno de Camargo, Profissional com 35 anos de experiência na área de gerenciamento de projetos e negócios. É Mestre em em administração de empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com foco de pesquisa em capacidades dinâmicas e gerenciamento de projetos e MBA em Administração de Projetos pela Fundação Instituto de Administração da USP. É graduado em Ciências da Computação pela Universidade Paulista e é certificado como PMP – Project Management Professional pelo Project Management Institute. Atuou em projetos de grande porte nas áreas de energia, industria, petroquímica e outras. É docente dos cursos de MBA na Fundação Getúlio Vargas. Também ministra aulas em cursos de pós-graduação na Brazilian Business Scholl, na UNICAMP e no curso de MTA em Agronegócio da Universidade Federal de São Carlos. Possui experiência internacional com participação em projetos e cursos nos Estados Unidos, Japão, Angola, Argentina e Colômbia. Atualmente tem três livros e diversos artigos publicados em revistas cientificas.

E-mail de contato:  camargo.alvaro@gmail.com.

Se você tem comentários, sugestões ou alguma dúvida que gostaria de esclarecer, aproveite o espaço a seguir.

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Editor

  1. Talisson Henrique disse:

    A falta de rigidez e as diversas manobras jurídicas fazem com que as empresas de infraestrutura e engenharia optem entrar em processos licitatórios oferecendo preços mais baixos do que a realidade do empreendimento. Isso se explica pela concorrência praticada entre as empresas deste ramo em garantir contratos com o poder publico. Após a sua contemplação essas empresas conseguem juridicamente receber valores adicionais ao especificado em contrato e adquirem produtos ignorando as especificações de qualidade somente pelo seu custo monetário. Infelizmente muitos editais não especificam uma norma de qualidade nos produtos e serviços e isso facilita os acontecimentos descritos acima. Assim sendo conclui-se que a raiz deste problema é baseada na pobreza das especificações de qualidade nos editais e na arcaica e ambígua lei 8.666/93.

  2. kenya mara nunes da silva disse:

    Apesar do artigo ter sido postado há dois anos atrás, infelizmente o cenário não mudou muito nos dias de hoje, dados aos fatos que acompanhamos nos jornais e revistas, ou até vivenciados por nós mesmos sobre tragédias em relação a grandes construções, taxas altas de impostos são cobradas sobre produtos e serviços e os resultados muitas vezes são catastróficos, ruas , estradas e rodovias, muitas vezes sem condições de transitar, obras de condomínios e de pontes que desabam e tiram vidas de pessoas inocentes, serviços como, saúde e educação apesar de não ser o foco deste artigo, também entram nesta triste estatística. Acima diz que as empresas privatizadas são uma exceção, certo que os mesmos prestam melhores serviços do que os públicos sem comparação, mas em alguns casos esporádicos deparamos com mão de obra e matéria prima e serviços caros e com muitas falhas. Fato que se tratando de “Brasil” serviços públicos a coisa piora, sei que não podemos generalizar, nem sou apta a falar muito sobre este assunto devido a minha pouca experiência no, mas como todo brasileiro, compramos e vendemos coisas o tempo todo, e achei o assunto deste artigo muito legal de se compartilhar, não podemos afirmar literalmente que o Brasil só compra barato e sem qualidade, mas analisando os fatos é o que vem acontecendo nos serviços públicos no geral, e concordo com a citação do colunista Álvaro Antônio de que devemos otimizar o recursos, devemos reduzir custos de alguns serviços para suprir outros, mas comprar projetos estratégicos, pensando em preço e não em qualidade é inadmissível .

  3. Marisa Cristiane Vidigal de Castro disse:

    Como profissional da área de vendas conheço muito bem esta triste realidade que acomete também o setor privado. Isto acaba se tornando uma grande dificuldade para os grandes fornecedores uma vez que, normalmente, quem tem os menores preços são os pequenos fornecedores que nem sempre possuem uma qulidade mínima aceitável. Claro, maiores preços também não significa sempre excelência em qualidade. Mas olhando também para o lado dos pequenos fornecedores: qual a forma de se tornar competitivo frente aos fornecedores renomados? Normalmente se consegue isto através de preços baixos que implica em redução nos gastos da produção o que geralmente acarreta a tão temida falta de qualidade. Mas como balancear esta equação? Na minha opnião, somente com políticas de incentivos fiscais aos pequenos fornecedores poderíamos equalizar esta situação.

  4. Daniel disse:

    Não podemos generalizar que o produto/serviço mais competitivo apresenta qualidade duvidosa, mas, devemos realizar um balanço entre a qualidade e o preço, pois o último, a curto prazo é vantajoso, mas, posteriormente, manutenções pré maturas podem acarretar prejuízos.

    A sugestão do bônus pode ser introduzida como uma participação à empresa contemplada se não ocorrerem imprevistos ao longo do tempo, pois dessa maneira garante a qualidade para o contratante e estimula a melhoria contínua da contratada.

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