Caça-Fantasmas e suas lições sobre empreendedorismo

Parte marcante da cultura pop mundial, Os Caça-Fantasmas vai além de uma divertida comédia com elementos de terror. Entre sustos e risadas, o longa de 1984 traz várias lições sobre empreendedorismo.

empreendedorismo

Poster do filme

Os cientistas Peter Venkman, Ray Stantz e Egon Spengler começam sua história com uma perda. A universidade em que trabalham corta seus fundos e recursos. Poderiam ter saído distribuindo currículos, reativando contatos, buscando anúncio de vagas. Porém, decidem encarar a situação como uma oportunidade para fazer algo mais arriscado: empreender. E isso não vem sem sacrifícios. Para iniciar um negócio próprio no qual acreditam, têm que realizar investimentos ao custo de, por exemplo, hipotecar suas casas. Sem muito tino para os negócios, eles aparentemente gastam de forma equivocada ou precipitada, por exemplo ao escolher sem muito critério o local e o veículo que vão utilizar para o trabalho.

Além disso, parecem não ter algumas qualidades básicas de gestores. Quando se trata de recursos humanos apresentam falhas que poderiam ser críticas. As contratações, embora acabaram se mostrando certeiras posteriormente, foram displicentes: uma atendente (para um telefone que não toca) desaforada que só fica cuidando das unhas e um novo membro da equipe só porque o trabalho está muito e porque foi o primeiro que apareceu em resposta a um anúncio no jornal. Em determinada cena, eles travam um diálogo com a atendente sobre função, carga e horário de trabalho que poderia gerar um penoso passivo trabalhista.

E os aspectos jurídicos de qualquer empreendimento são cruciais. Embora seja retratado de forma a realçar os estereótipos de um agente público e moldado para ser um vilão não-sobrenatural na história, o inspetor do órgão de Saúde e Meio Ambiente exerce o papel de pontuar um fato preocupante: os caça-fantasmas desconhecem, ignoram ou desprezam (ou um pouco de cada) as determinações regulatórias do seu ramo de atividade.  Esta atitude efetivamente leva ao fim do negócio, retomado apenas por uma improvável intervenção do prefeito. Nenhum empresário que se preze pode pensar em cometer tal deslize.

Mas, apesar de pecar em tantos detalhes, eles conseguiram ser empreendedores de sucesso.

A grande sacada do trio foi achar um nicho. Ao decidir sair para caçar fantasmas, eles criam um segmento exclusivo onde quem quer que queira entrar como concorrente estará a milhas de distância para alcançar seus níveis de conhecimento teórico e de ferramental. Claro, pode parecer conveniente que Gozer o Gozeriano, o Destruidor, o Viajante, Volguus Zildrohar e Senhor de Sebouillia, uma milenar entidade maligna, esteja convocando e canalizando justamente ali em Nova York todas as manifestações espectrais sobrenaturais e assim criando uma demanda inacreditável para Dr. Venkman e companhia. Mas o fato é que eles enxergaram um nicho a desbravar antes do ocorrido e se preparam para tal. E no processo também detectaram o potencial crescimento do negócio local a curto prazo.

A “criação” de um nicho vem com uma condição interessante a ser explorada com cuidado e que os caça-fantasmas vivenciaram logo no seu primeiro trabalho, no hotel Sedgewick. Se não existe produto ou serviço similar no mercado para se balizar, como compor seu preço? Os protagonistas acabaram cobrando um valor absurdo (será?) do gerente do hotel, definindo uma cifra que veio à cabeça na hora. É como o caso das pérolas negras taitianas. Seus descobridores tinham em mãos um produto desconhecido pelo público. Decidiram guardar todo o estoque que fizeram e colocaram um único colar de pérolas negras em exibição ao lado das joias mais caras de uma famosa joalheria americana. E assim, sem quaisquer outras referências, as pérolas negras passaram a valer mais que as pérolas tradicionais. E criar uma demanda para vender materiais desconhecidos é uma tarefa bem mais difícil que promover um serviço para eliminar seres que surgem no meio da noite para assustar e lambuzar clientes com uma gosma ectoplásmica.

Promoção é outra palavra chave do empreendedorismo presente fortemente no filme. Extrapolando até os limites da história em si, a música-tema, o logotipo e a identidade visual de uma forma geral são tão reconhecíveis e marcantes quanto às de marcas reais como Coca-Cola, Apple, Google e Microsoft. Quando partem para o confronto final, os heróis são saudados nas ruas por diversas pessoas com camisas, canecas e variados produtos com a tradicional logomarca do fantasma cortado dentro do círculo vermelho. Mesmo que inevitáveis concorrentes ameaçassem a entrar no mercado tardiamente, os caça-fantasmas já haviam se estabelecido como um bombril, cotonete ou chicletes daquele universo.

Trailer do filme

No fim das contas, Os Caça-Fantasmas é uma grande chamada para aqueles que precisam acreditar que existem por aí oportunidades ainda não desbravadas, como assombrações para serem exterminadas, e que é possível transformá-las em casos de sucesso. Um gigantesco monstro de marshmallow bota medo, mas com iniciativa, estudo, perseverança, respeito às normas e… coragem, encará-lo e sair vitorioso é uma realidade.

jose_roberto

Sobre o Colunista:  José Roberto Costa Ferreira, PMP, é Engenheiro Eletrônico e de Telecomunicações pela PUC-MG, pós-graduado em Redes de Telecomunicações pela UFMG e em Gerenciamento de Projetos pelo IETEC. Iniciou sua carreira profissional em 1995 no ramo de eletrônica, informática e telecomunicações e desde 2005 atua em áreas e negócios diversificados com Gestão de Produtos e Gerenciamento de Projetos. Atualmente integra a equipe de Gestão de Projetos da ThyssenKrupp Industrial Solutions, divisão de Tecnologia de Recursos/ Mineração. Nas horas vagas é um aficionado por cinema.

E-mail para contato: zrcosta@hotmail.com – Blog pessoal: http://padecin.blogspot.com.br

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3 comentários


  1. 2 semanas atrás  

    Concordamos. Inicialmente diante do desespero do desemprego em que se encontravam, a primeira ideia que veio em mente foi sair precipitadamente investindo em uma empresa sem nenhum conhecimento sobre empreendedorismo, o que acarretou uma serie de problemas, desde funcionários ate questões burocráticas. A lição aprendida nessa parte foi que nenhum projeto pode ser feito sem um bom planejamento. Ao mesmo tempo tiramos outra lição dessa vez de forma positiva. Eles buscaram crescer diante da dificuldade e não desistiram mesmo sabendo que teriam um grande trabalho diante da trágica situação em que se encontravam, eles foram alem, entraram de cabeça num ramo arriscado porem totalmente novo, o que resultou num grande sucesso, que ninguém seria capaz de tentar copiar. Vimos nessa historia que momento algum os personagens perderam a esperança de vencer mas que precisava vir junto com uma boa organização, essa é a palavra chave para um bom negocio.

    Beatriz Ayesca e Jaqueline Santos

    Beatriz ayeska

  2. 1 mês atrás  

    Concordo com o autor, o filme apresenta um olhar diferente, no que tange à empreendedorismo e gestão de projetos, principalmente na ousadia do negócio. Contudo, o que mais me chamou a atenção foi a capacidade de resiliência, pois os personagens não planejaram o seu negócio, ponto determinante para o sucesso de qualquer empresa. Outro fato observado no filme foi a falta de critérios, comprometimento e cuidado em relação à escolha do local, equipamentos e equipe de trabalho, bem como o desleixo para com o cumprimento das prerrogativas da legislação trabalhista, fato que arruinou com o negócio de nossos personagens no início do filme. Acredito que neste caso, o enredo tomou outro rumo em virtude do querer, querer vencer, sem desanimar, quando isso ocorre de maneira verdadeira, o universo conspira a nosso favor, visualizar nossos projetos de forma detalhada é fundamental para sua concretização. Aprendi que não podemos desistir de um empreendimento diante do primeiro obstáculo ou primeiro insucesso, temos que tentar várias vezes, todavia de formas diferente até alcançar o alvo principal. Outro aprendizado não menos importante, foi que a precificação dos serviços/produtos é essencial para atingir ganhos financeiros, ou seja, ter lucro. O que aprendi de novo: que artefatos como logo, produtos de qualidade, são ferramentas poderosas quando conseguimos inovar, antecipar perante um cenário de escassez, isso faz toda diferença! Conclusão: è importante ressaltar que devemos querer, saber (nos preparar) e aproveitar as oportunidades, lembrando que as pessoas são o bem mais importante de uma empresa. Devemos acreditar em nossa capacidade, pensar grande e sonhar, não podemos deixar de sonhar, pois sonhar é o primeiro passo para realizar!!

    Sílvia Márcia Rodrigues
    GPPP 163

    Silrodd Rodrigues

  3. 1 mês atrás  

    Concordo, o filme demonstra lições acerca de empreendedorismo. Os personagens do filme em exclusividade formam a própria oportunidade ao inventar uma prestação de serviços de eliminação sobrenatural (assombrações dos fantasmas). Entretanto, é importante salientar que a aceitação do empreendimento é dada por diversos fatores, sendo eles internos e/ou externos. Os personagens foram negligentes em alguns fatores, e sem muitos critérios importantes no momento de empreender, tais como, ferramenta de trabalho, recursos humanos e aspectos jurídicos que poderiam efetivamente levar ao fim do negócio proposto. Com o filme (artigo), eu aprendo que o objetivo de uma gestão é reconhecer o valor do seu negócio e que no início a agilidade talvez seja mais importante que o planejamento, e que a segurança nunca é demais ao tomar medidas necessárias para proteger o negócio. O que aprendo sobre novidade no artigo é que devemos reconhecer o valor do nosso empreendimento quando se trata de um serviço e/ou produto novo e exclusivo, tanto do ponto de vista ético e monetário. Aprendo também que as estratégias de promoções quando bem propostas se tornam interessantes para o sucesso.

    Luciano Rodrigues Mendes
    GPPP 163

    Lucianorm

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