Publicado em 16/03/2015
Como se sabe, o PMBOK (Project Management Body of Knowledge) em sua quinta edição acrescentou uma nova área de conhecimento: o gerenciamento de stakeholders em projetos. Como se sabe, essa área possui os seguintes processos:
13.1.Identificar Stakeholders
13.2.Planejar o gerenciamento de stakeholders
13.3.Gerenciamento de engajamento de stakeholders
13.4.Controle do engajamento de stakeholders
Essa semana recebi duas perguntas interessantes sobre essa área de conhecimento:
Pergunta 1: Em Português, o correto não seria falar gerenciamento de partes interessadas em projetos?
Pergunta 2: Qual o significado de engajamento no contexto do gerenciamento de projetos?
Essas perguntas parecem, a princípio, pouco importantes. Mas não são. Explico o porquê.
A palavra stakeholder não tem uma tradução exata na língua portuguesa. E a expressão “partes interessadas” ou outras que são usadas como sinônimo, como por exemplo, intervenientes, impactados ou afetados, não refletem o real significado do conceito em toda a sua amplitude. Veja só:
- Partes interessadas: na realidade nem sempre todas as partes realmente estão interessadas no projeto.
- Intervenientes: na realidade nem sempre todos os stakeholders intervêm no projeto.
- Impactados: na realidade nem todos os stakeholders são realmente impactados pelo projeto.
- Afetados: da mesma forma, é possível afirmar que nem todos os stakeholders são afetados pelo projeto.
Exatamente por isso houve uma decisão dos autores (entre os quais eu me incluo já que sou um dos coautores) do livro “Gerenciamento de Stakeholders do Projeto”, publicado pela Editora FGV de manter a palavra stakeholder em Inglês. Eu detesto o uso de estrangeirismos aqui no Brasil quando existe uma palavra equivalente em Português. Mas nesse caso achei que não tinha jeito. O termo stakeholder é muito abrangente e envolve todos os conceitos descritos acima (Partes interessadas, intervenientes, impactados, afetados). Além disso, a palavra stakeholder é conhecida mundialmente e expressa, corretamente, esse conceito essencial para gerenciar projetos.
Quanto ao significado de “engajamento”, objeto da pergunta 2, acima, tenho as seguintes considerações a fazer. Segundo o dicionário Aurélio, a palavra engajar significa:
- Aliciar para serviço pessoal ou para emigração.
- Obrigar-se a serviço por engajamento.
- Alistar-se ou profissionalizar-se no exército (ou forças armadas em geral).
- Filiar-se a uma linha ideológica, filosófica, etc. (Grifo meu)
- Empenhar-se em uma atividade ou empreendimento. (Grifo meu)
Já a palavra engajamento significa:
- Ato ou efeito de engajar-se.
- Contrato para certos serviços.
- Aliciação, alistamento.
- Situação de quem é solidário com as circunstâncias sociais, históricas e nacionais em que se vive, e procura, pois, ter consciência das consequências morais e sociais de seus princípios e atitudes. (Grifo meu)
- Situação de filósofo que admite ser impossível começar um sistema sem pressuposição, tendendo, pois, a levar em conta a situação concreta que o cerca.
Isto posto, penso que a palavra “engajamento”, no contexto de gerenciamento de projetos, tem a ver com os itens que estão grifados no texto acima. Quando se apoia um projeto é porque existe concordância com aquilo que o projeto propõe como objetivo, ou seja, com a filosofia do projeto. Significa também que o stakeholder que apoia o projeto é solidário com as circunstâncias sociais e históricas que motivaram a execução do projeto.
Para o conjunto de stakeholders formados pelos integrantes da equipe de projeto, o engajamento, claramente, diz respeito a empenhar-se em uma atividade ou empreendimento. Isso também é válido para alguns outros stakeholders que, mesmo não fazendo parte da equipe de projeto, contribuem com suas atividades para o progresso do projeto (Organizações e terceiros contratados para executar atividades do projeto, agências de governo, etc.)
Alguns me perguntam se engajamento não é o mesmo envolvimento. Considero que podemos afirmar que engajar é envolvimento. Mas não é apenas isso. É apoiar o projeto com atitudes. É estar consciente das consequências do projeto. É empenhar-se na execução do projeto.
Espero que esse post esclareça o assunto. Mas, caso você caro leitor, não concorde, sinta-se à vontade para discordar. A polêmica será boa.
Sobre o Colunista: Álvaro Antonio Bueno de Camargo, Profissional com 35 anos de experiência na área de gerenciamento de projetos e negócios. É Mestre em em administração de empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com foco de pesquisa em capacidades dinâmicas e gerenciamento de projetos e MBA em Administração de Projetos pela Fundação Instituto de Administração da USP. É graduado em Ciências da Computação pela Universidade Paulista e é certificado como PMP – Project Management Professional pelo Project Management Institute. Atuou em projetos de grande porte nas áreas de energia, industria, petroquímica e outras. É docente dos cursos de MBA na Fundação Getúlio Vargas. Também ministra aulas em cursos de pós-graduação na Brazilian Business Scholl, na UNICAMP e no curso de MTA em Agronegócio da Universidade Federal de São Carlos. Possui experiência internacional com participação em projetos e cursos nos Estados Unidos, Japão, Angola, Argentina e Colômbia. Atualmente tem três livros e diversos artigos publicados em revistas cientificas. E-mail: camargo.alvaro@gmail.com – Blog: https://alvarocamargo.
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